Neste 9 de julho, a Rede de Educação Intercultural Bilíngue Amazônica (REIBA) celebra com gratidão seu sexto aniversário, renovando seu compromisso de continuar acompanhando os povos originários da Amazônia a partir de uma educação intercultural bilíngue, integral, pastoral e inculturada.
A REIBA nasceu em 9 de julho de 2020 a partir do Núcleo de Educação Intercultural da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM), como resposta aos apelos do Sínodo para a Amazônia (2019) e à exortação apostólica Querida Amazonia (2020) do Papa Francisco, que convida a construir uma Igreja com rosto amazônico, próxima aos povos, respeitosa de suas culturas e comprometida com o cuidado da Casa Comum.
Atualmente, a REIBA está vinculada à Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA), organismo que promove uma Igreja sinodal, missionária, intercultural e comprometida com a defesa da vida na Amazônia. Nessa caminhada, desenvolve sua missão educativa em estreita colaboração com seus principais aliados: CEAMA, REPAM e a Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosas e Religiosos (CLAR), fortalecendo uma ação eclesial articulada a serviço dos povos amazônicos.
Uma educação que nasce do território
Desde o início, a REIBA compreendeu que a educação intercultural bilíngue não se limita à sala de aula, mas é vivenciada em cada espaço da vida comunitária. Por isso, promove uma educação territorial, onde o aprendizado acontece na pastoral, nas comunidades, nas instituições de ensino, no diálogo com os sábios e sábias, nas famílias e na relação cotidiana com a natureza.
Essa abordagem busca fortalecer as línguas nativas, os conhecimentos ancestrais, as cosmovisões e as formas próprias de aprender e ensinar de cada povo. Reconhece-se que a educação é um processo comunitário profundamente ligado à identidade, à espiritualidade e à vida. Nesse processo, a rede trabalha em conjunto com bispos, vicariatos, dioceses, paróquias, congregações religiosas, organizações indígenas, agentes pastorais e voluntários. Atualmente, tem presença em diversos vicariatos e dioceses de sete dos nove países amazônicos: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Venezuela.
Seis anos acompanhando os povos originários
Durante esses seis anos, a REIBA acompanhou processos educativos junto a diversos povos indígenas da Amazônia, dentre eles:
Monkox Chiquitano (Bolívia)
Tsimane (Bolivia)
Piaroa (Colômbia)
Wapichan (Guiana)
Tucano (Brasil)
Achuar (Peru)
Matsigenka (Peru)
Kichwa (Equador)
Waorani (Equador).
Cada processo foi desenhado a partir das necessidades, prioridades e do tempo de cada povo, respeitando seus saberes ancestrais, línguas, calendários, espiritualidade e cosmovisões. Para isso, contou com o valioso aporte de especialistas internacionais em Educação Intercultural Bilíngue, que desenvolveram processos formativos personalizados:
Grimaldo Rengifo Vásquez (módulo de Calendário Ecológico)
Karina Sullón Acosta (Revitalização Linguística)
Sandra Robilliard Ferreyra (Metodologia CLIL/AICLE e Espanhol como Segunda Língua)
Ir. Inés Ochoa Núñez, M.M.L. (Design de Materiais).
Fortalecer a comunhão para servir melhor
Nos últimos anos, a rede também fortaleceu seus vínculos com diversas redes e instituições eclesiais e sociais. Esse caminho de articulação responde ao espírito sinodal impulsionado pela CEAMA: caminhar juntos, compartilhar experiências e construir respostas comuns aos desafios amazônicos.
Um sonho que continua a crescer
Um dos maiores anseios da REIBA é consolidar, junto aos seus aliados, um plano de trabalho cada vez mais articulado que permita somar esforços (humanos, pastorais, técnicos e econômicos). A escuta permanente das comunidades continua a ser o ponto de partida de toda ação.
Como parte da CEAMA, a REIBA reafirma seu compromisso de continuar promovendo uma Igreja que aprende com os povos amazônicos e que anuncia o Evangelho a partir do diálogo, do respeito e da fraternidade. Acreditamos firmemente que cada povo possui uma riqueza inestimável. Neste sexto aniversário, damos graças a Deus e renovamos nosso compromisso de seguir caminhando lado a lado com os povos originários da Amazônia.