A manhã deste 27 de julho marcou um momento de profunda alegria e esperança para o povo waorani e para a REIBA. Cinco jovens universitários defenderam com sucesso suas teses, focadas na sistematização de experiências em torno da Educação Intercultural Bilíngue (EIB), culminando assim uma etapa de formação que representa muito mais do que uma conquista acadêmica: é um compromisso com a vida, a cultura e o futuro do seu povo.
Um fato especialmente significativo desta jornada foi que a defesa de suas teses foi realizada em waotededo, a língua própria do povo waorani. Este acontecimento constitui um valioso reconhecimento da riqueza linguística e cultural deste povo, e demonstra que o conhecimento científico e acadêmico também pode ser expresso a partir das línguas originárias, dignificando os saberes ancestrais e fortalecendo a identidade de quem os preserva.
Maritza Caigua, Maycol Coba, Mintoque Orengo, José Yate e Milton Boya são o rosto de uma nova geração de professores que decidiu responder com generosidade ao chamado para servir à sua comunidade a partir da educação. Com dedicação e perseverança, prepararam-se para promover, valorizar e fortalecer a Educação Intercultural Bilíngue, uma ferramenta essencial para preservar a língua, as tradições, a cosmovisão e os saberes ancestrais do povo waorani.
Esta conquista adquire um valor ainda maior ao reconhecer os desafios que muitos estudantes indígenas enfrentam durante sua formação universitária. Para aqueles que têm o espanhol como segunda língua, acessar os estudos de graduação pressupõe percorrer um caminho com barreiras linguísticas, metodológicas e culturais que exigem um esforço adicional. No entanto, experiências como esta demonstram que, quando as instituições de ensino, as comunidades, as organizações e as pessoas comprometidas caminham juntas, essas limitações podem ir se transformando em oportunidades. Construir uma educação verdadeiramente intercultural implica adaptar metodologias, valorizar as línguas originárias e gerar condições de maior equidade para que cada estudante possa desenvolver plenamente suas capacidades sem renunciar à sua identidade.
Neste processo, foi especialmente valiosa a contribuição da Lic. Sandra Robillard, assessora de Educação Intercultural Bilíngue e do módulo de Espanhol como Segunda Língua, que desde o ano passado acompanha metodologicamente os estudantes no fortalecimento de suas competências comunicativas. Seu trabalho transcendeu o ensino do espanhol, promovendo também que o waotededo ocupe com legitimidade os espaços acadêmicos e profissionais. Graças a esse acompanhamento, os estudantes fortaleceram suas habilidades para se expressar com segurança tanto em espanhol quanto em sua língua materna durante exposições, apresentações e outros cenários profissionais, demonstrando que ambas as línguas podem dialogar e se complementar em uma educação verdadeiramente intercultural.
Ser professor em um contexto intercultural implica muito mais do que ensinar conteúdos. Significa tornar-se uma ponte entre gerações, custodiar a memória coletiva e transmitir, de maneira pedagógica e metodológica, os conhecimentos que os mais velhos conservaram durante séculos. Cada sala de aula será um espaço onde a identidade se fortaleça, onde a língua materna siga viva e onde as novas gerações aprendam a valorizar suas raízes enquanto desenvolvem as competências necessárias para se inserirem no mundo atual.
Este caminho não foi percorrido de forma solitária. Ao longo destes anos, as Irmãs Lauritas e as voluntárias da REIBA —Gabriela Valdiviezo, Isabel Laguna, Martha Chávez, Yolanda Huamancondor e Mariela Gutiérrez— acompanharam muito de perto este processo formativo. Com dedicação, paciência e espírito de serviço, incentivaram, orientaram e compartilharam seus dons com estes jovens, sendo testemunhas de seu crescimento humano, profissional e espiritual.
Cada pessoa que fez parte deste processo contribuiu para tornar realidade uma educação que reconhece a diversidade como uma riqueza. A formação acadêmica, o acompanhamento humano e o fortalecimento das línguas permitiram que estes novos profissionais chegassem a este momento com mais ferramentas para servir às suas comunidades e responder aos desafios da Educação Intercultural Bilíngue.
Sua presença foi uma expressão concreta do Evangelho, que convida a caminhar junto aos povos, reconhecendo a dignidade de cada cultura e promovendo uma educação que liberta, fortalece a identidade e constrói fraternidade. Educar também é um ato de amor cristão, porque significa acreditar no potencial das pessoas, semear esperança e trabalhar para que cada comunidade possa escrever sua própria história com autonomia, sabedoria e fé.
A Educação Intercultural Bilíngue representa uma oportunidade para que os conhecimentos ancestrais dialoguem com os saberes contemporâneos, enriquecendo ambos e formando cidadãos comprometidos com o cuidado da criação, com a justiça e com o bem comum. Nas mãos destes novos profissionais repousa a missão de inspirar meninos, meninas e jovens para que se sintam orgulhosos de ser waoranis, valorizem sua herança cultural e continuem transmitindo-a aos que virão depois com rigor pedagógico, sensibilidade intercultural e profundo respeito por seu povo.
Hoje celebramos não apenas uma defesa de tese, mas o nascimento de novos líderes educativos que decidiram colocar seus talentos a serviço de seu povo. Este acontecimento é também um sinal esperançoso de que uma universidade mais inclusiva e intercultural é possível quando se reconhece o valor das línguas indígenas, se acompanha de perto os estudantes e se constroem pontes entre diferentes formas de compreender e ensinar o mundo.