SAN CARLOS, VENEZUELA – Com o firme propósito de preservar a identidade cultural e os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas, de 29 de setembro a 1 de outubro realizou-se o II Encontro Trinacional de Saberes Ancestrais. O evento reuniu educadores da Colômbia, do Brasil e da Venezuela, consolidando um espaço fronteiriço dedicado ao intercâmbio pedagógico e cultural para fortalecer as salas de aula da região.

Durante as três jornadas, os participantes trabalharam em mesas de diálogo e desenvolveram práticas piloto com ferramentas pedagógicas inovadoras, entre as quais se destacou o calendário ecológico. Este instrumento permite a recuperação e a preservação dos saberes nativos em sintonia com os ciclos da natureza, conseguindo integrar a cosmovisão indígena aos planos de estudo exigidos pelos ministérios da educação de cada país.

Renovação espiritual e lideranças da rede

Um espaço significativo do evento foi o momento místico dedicado a renovar o espírito e a vocação dos educadores através da oração. Durante este emotivo ato, proclamou-se uma profunda mensagem de alento ao docente amazônico:

«Mestre da Amazônia, guardião da floresta e da esperança: Voltas para a tua comunidade não de mãos vazias, mas com a maloca do conhecimento ampliada. És o rio que leva vida, és a semente que germina na mente dos teus meninos e meninas. Que a corrente não apague o teu fogo, que a distância não enfraqueça a tua rede. Voa alto como a arara, sê firme como a sumaúma e ensina com o coração do rio!»

Esta segunda edição materializou-se graças à articulação de redes e organizações que atualmente acompanham os povos da Amazônia, tais como: Fe y Alegría – Colômbia, representada por Sabrina Burgos; a Ir. Lisette Escárate, H.D.M., coordenadora do voluntariado REIBA/CEAMA; o Lic. Getulio Gómez; o P. Fernando López, SJ, em representação da Equipe Itinerante, contando também com o apoio fundamental da rede da Fundação Spínola, por meio da Ir. María Fuentes e de Mariela Romano.

Avaliação e projeções: Tecendo redes a partir do território

O último dia do encontro foi marcado por uma jornada de avaliação coletiva. Os docentes e líderes responderam a perguntas-chave sobre as aprendizagens obtidas, as propostas de aplicação prática, o desejo de continuar articulados, a avaliação geral e os aspetos a melhorar. Entre as respostas que ecoaram com maior força e que marcaram as conclusões do evento, destacaram-se:

  • Um profundo agradecimento pelo intercâmbio de conhecimentos e pelas vivências da noite cultural.
  • O sentimento generalizado dos docentes, que manifestaram partir emocionados, entusiasmados e com um forte desejo de colocar em prática o que aprenderam.
  • A firme vontade de continuar com as sessões de aprendizagens internacionais para seguir tecendo redes pan-amazônicas.
  • Propostas focadas na logística do crescimento da rede, assinalando a importância de melhorar a pontualidade em futuras jornadas.
  • A relevância geográfica de localidades fronteiriças-chave, como Cucuí, Brasil, essenciais para a continuidade destes laços.
No encerramento da atividade, as redes organizadoras estenderam um convite aberto a todas as instituições, coletivos e pessoas que acompanham os povos originários da Pan-Amazônia a somarem-se a esta causa, lembrando que a união de esforços é vital para continuar a fortalecer os caminhos da educação intercultural.